Há 3 anos eu estava ganhando 12 ovos de Páscoa. E “num hospital”.
Eu estava com o meu pai em São Paulo para tratar de um câncer que ele tinha (e já se curou) e nos hospedávamos na Casa Hope, uma casa de apoio a crianças com câncer, mas que também recebe alguns poucos adultos.
Foi uma coisa muito diferente pra mim… ainda mais pro meu pai. É pra qualquer um, na realidade.
O Governo de Minas, não dispondo de um centro de oncologia como o do Hospital das Clínicas de São Paulo, pagou para que meu pai fizesse um transplante de medula óssea por lá. Tudo pelo SUS. Tudo da melhor qualidade. Também é importante relatar que pra gente foi tudo muito bem encaminhado, depois de uma fila de anos, mas é visível que não ocorre bem para todos. Brasil é um país para poucos.
Como meu pai só dormiria no hospital uns 20 dias após o transplante da medula óssea, fomos para uma casa de apoio. Acredito que seja a melhor: a Casa Hope.
Uma das atitudes mais firmes que tomei na vida
É sempre necessário um acompanhante para ficar na casa de apoio. Foi uma das atitudes mais firmes que tomei na vida: percebi que seria muito importante pra vida do meu pai e pra minha também. Me senti preparado e falei pra minha família que eu o acompanharia. Era a melhor configuração para todos.
Por conta de o tratamento ter um tempo mínimo de 3 meses, acabei estruturando meus afazeres na Agência Métrica de uma maneira que eu pudesse me dedicar verdadeiramente ao meu pai.
Foi algo tipo esta quarentena. Eu não veria amigos. Não sairia a não ser pra ir pro hospital. Não comeria fora. Padrões de limpeza nível estéril. Encararia um período cheio de incertezas. Minha ligação com Deus se reforçaria. Minha ligação com a ciência se reforçaria. A clareza da mente seria valorizada.
Meu papel foi ser tradutor da ciência e apoiador emocional. O tratamento machuca muito o paciente, física e emocionalmente. E eu estava ali pra lembrá-lo de que todos aqueles desconfortos estavam de acordo com o esperado. Se estava assim, era porque estava dando certo.
O grafite no Maracanã
Obrigado, Casa Hope!
Agora está grafitado, em frente ao Maracanã. É pra todo mundo ver. Do tamanho da minha gratidão!
Há 3 anos eu perguntei se o Castilho topava emprestar o personagem dele, o Cast, para homenagear a Casa Hope. Ele topou! O tempo correu e eu nunca me esqueci; ele também não. Agora a homenagem está feita.
Obrigado ao Castilho e à Nat por me ajudarem a realizar esta vontade. Foi uma delícia de tarde. Nem vi o tempo passar.
Se você não conhece: a Casa Hope é uma Casa de Apoio à Criança com Câncer. Tratam mais de 100 crianças com seus acompanhantes. O transplante do meu pai foi bem-sucedido, e muito pelo apoio da Casa, ao proverem tudo o que um transplantado precisa para um melhor repouso e recuperação.
Obrigado, Casa Hope! Minha família agradece imensamente.
Publicado originalmente no meu Instagram em abril e agosto de 2020.