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← ideias · 25 de setembro de 2024

Eu não preciso de um celular para produzir mais vídeos

Encerrando o dia de trabalho, fui dar uma caminhada antes que o sol se pusesse. E pensei em compartilhar uma coisa que se passou no meu dia.

Eu estou querendo gravar mais vídeos e tinha pensado em trocar de celular, pegar um com uma câmera melhor. “Com a câmera melhor, vou me motivar mais a gravar vídeos.” Fiquei dois dias assim, pensativo, até falar: cara, o que eu preciso não é de celular pra gravar vídeo. Eu preciso é de gravar vídeo, ora bolas! Meu celular tem uma boa câmera.

Continuar com esse celular não vai trazer um insucesso. Mas eu gravar vídeos pode fazer com que o meu projeto tenha sucesso. Sucesso em nenhum sentido de ficar famoso — não é isso. Eu quero é compartilhar as minhas visões de mundo, refletir muito mais e ganhar mais visões de mundo através do compartilhamento. Porque, pra falar, eu vou pensar. E eu vou ganhar com isso.

Então quero focar mais no que eu preciso fazer do que no que eu preciso ter.

A água e os poros

É igual a história de ler filosofia. Se você lê filosofia sem parar, isso quer dizer que você entendeu? Talvez você tenha entendido com a razão: usou argumentos que fazem você chegar a uma conclusão. Mas aquilo entrou dentro de você mesmo? É como uma água em que você se banhou e que ficou só na superfície, no seu corpo, na sua pele — ou aquela água realmente entrou pelos seus poros e começou a se tornar parte de você?

Acho que é assim que deve ser no campo das ideias: a gente não só ter contato com as ideias, com a visão filosófica de mundo, mas se banhar mesmo. A gente virar a própria água com que está tendo contato.

É muito importante viver uma vida reflexiva para a ação. Porque viver uma vida reflexiva por si, ou pelo ego de “olha os filósofos que eu leio, olha como eu sou um bom pensador”, acho que não faz sentido.

E mesmo trabalhando com redes sociais, isso não quer dizer que eu tenha facilidade para pegar a câmera e gravar. É sempre uma luta. Mas uma satisfação também, quando vejo o resultado disso: seja o resultado só pela coisa em si, pronta, seja o resultado do resultado — ter diálogo com outras pessoas dizendo que aquilo faz sentido pra elas.

Movimento gera movimento

Hoje aconteceu uma coisa muito bacana. Publiquei um vídeo no LinkedIn falando dos 17 anos da Métrica e dos meus quatro anos aqui na ecovila. Uma pessoa deu like — o primeiro like — e ela tem tudo a ver com o momento de agora da Métrica.Social. Trocar uma ideia com ela seria muito massa. Abri o WhatsApp, fui digitar o nome… e surge uma mensagem dela: “Cara, quanto tempo! Vi seu vídeo, que tal a gente bater um papo?” Falei: é, cara, sincronia. Eu estava abrindo o WhatsApp aqui e agora justamente para falar com você.

Movimento gera movimento. A reflexão, às vezes, gera estagnação — ficar só refletindo. Quando você age, você gera mais possibilidade de agir. Estou descendo essa estrada: se eu não descer, eu não encontro essa bifurcação. E com essa bifurcação eu tenho a possibilidade de ir para aquele caminho, ou de só seguir reto. Tem coisas que são inesperadas, a gente não sabe o que vai encontrar além de onde está conseguindo atingir.

O jogo de mim comigo mesmo

Nessa reflexão do “eu preciso de um celular — não: eu preciso é de gravar o vídeo”, às vezes eu posso criar uma falsa expectativa, um jogo de mim comigo mesmo, de que com o celular novo eu vou gravar. Só que, se eu não gravar, vou criar uma frustração pra mim. Às vezes é só desejo do objeto. Um celular com uma câmera melhor é desejável, sim, por que não? Mas eu poderia me colocar numa situação de uma certa agonia: “nossa, ainda não fiz nada daquilo que eu tinha falado que ia fazer, já estou com o celular aqui há uma semana”. Aí daqui a pouco alguma coisa acontece, o trabalho aumenta, e eu me coloco desculpas.

E assim essas frustrações vão contaminando a gente. Às vezes a gente tem umas angústias de fundo que não percebe, coisas que ficam na nossa mente por muito tempo e que, se a gente não para pra refletir, pra sentir, fazem a gente sentir — só que sem essa consciência.

Daí a importância de filosofar para agir e agir filosofando. Sem ficar só no campo da reflexão: às vezes é trabalho manual mesmo, não tem nada que refletir. Eu tenho que apertar esse botão 232 vezes ao dia? Isso: vamos apertando o botão 232 vezes ao dia, sabendo que é isso que eu tenho que fazer.

Porque a caminhada não é o caminhar. A caminhada é o caminho. E, seguindo nesse formato, eu vou fazendo da caminhada o meu caminho e do meu caminho a caminhada.

Publicado originalmente no meu Instagram em setembro de 2024.

De tempos em tempos, escrevo sobre o que estou vivendo por aqui: marketing para o bem, vida na montanha, poesia e o que mais a vida trouxer. Deixa teu e-mail que eu te conto.

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