Hoje está fazendo 17 anos da minha empresa, a Métrica.Social, e 4 anos que eu cheguei aqui na ecovila.
Refletindo sobre o dia, pensei: esse meu processo de ter vindo pra cá e a Métrica estão intrinsecamente costurados. Um envolve o outro, um ajuda a sustentar o outro. E pensei que tem outra camada — ou melhor, três: a camada material, a emocional e a espiritual envolvidas nisso.
Material
Eu comecei muito cedo. Aos 11 anos de idade, sentei no computador, abri o chat da UOL e quis aprender a fazer um site como aquele, um chat em que as pessoas se conectam pela internet. Aquilo explodiu a minha mente: cara, quero fazer isso. No dia seguinte eu já estava buscando aprender a fazer site.
Segui nessa até que, aos 16 anos, conheci um cara, o Marcos (“Esquete”), por intermédio de um amigo meu, o Mateus Pedalino. Ele gostou do que eu estava fazendo de sites e me chamou para trabalhar com o site do Los Hermanos. Então eu passei a atualizar o site do Los Hermanos com 16 anos — uma banda de que eu era super fã, gosto muito até hoje. Trabalhando remotamente: meu primeiro trabalho já foi assim.
Quando fiz 18 anos, liguei pro Esquete: “você tinha falado de montar uma agência para atender outros artistas… Se for rolar, eu vou pro Rio. Senão, acho que vou para São Paulo, que lá pode ter mais mercado para essa área que eu quero seguir.” Cheguei ao Rio em 2007 e, nove meses depois, no dia 12 de setembro de 2007, ele começou a agência.
Fiquei por dois anos como colaborador, aí eu e outras pessoas entramos como sócios do negócio e o Esquete saiu. E eu entrei numa de trabalhar incansavelmente. Trabalhei muito, fiquei 10 anos numa toada sem parar. Atendemos grandes artistas, as maiores gravadoras do país. Tive muitas vivências legais — só que eu trabalhava de madrugada. Digamos que eu só tinha um período de dormir, e o resto era acordar já pensando em trabalho.
Emocional
Chegou um ponto em que o meu corpo me deu sinais de que a minha mente queria um espaço para ela.
Comecei então um processo de caminhar, meditar, olhar o mundo de outro modo, dar mais espaço para mim.
Espiritual
O Céu do Gamarra sempre foi um lugar de recarga espiritual. Eu sempre visitava a igreja nos cultos da doutrina do Santo Daime.
Até que, na pandemia, já nesse processo de melhora de estilo de vida, eu me vi dentro do meu quarto — tinha fechado o ambiente da agência — trabalhando todo dia ali. Falei: por que eu não vou trabalhar em um quarto no Céu do Gamarra, um ambiente que me dá essa recarga?
E assim fiz. Entrei em contato e tinha uma vivência rolando numa pousada, o Espaço Lua Branca, onde fiquei por três meses. Fiz até uma brincadeira com o cara que dividia apartamento comigo: “olha, eu tô indo, vou ficar dois meses, talvez eu estenda para três e talvez eu volte só para buscar as coisas”. E assim foi.
No dia em que cheguei, teve um trabalho na igreja, onde eu falei: por que eu não faço parte da doutrina do Santo Daime, que eu já visitava há tantos anos? Logo depois: por que eu não moro aqui? E assim fui encaminhando, com fé, com força, com esforço. As coisas foram se clareando à medida dessa força que eu ganhei nos estudos da vida espiritual — de uma forma bem pragmática também, porque nossa mente se habitua a isso: as bem-aventuranças, como tratar melhor as pessoas, o que eu entrego pro mundo.
O cliente é determinante
Aí eu olhei aquele nosso portfólio de clientes da área da cultura e vi: a gente trabalhava para Médicos Sem Fronteiras e para um instituto de transição energética. Esses são os melhores clientes que a Métrica tem, no sentido de que a gente trabalha para um propósito bacana. Eles atingem muitos milhões de pessoas e a gente, como pessoa, se sente mais útil.
A gente acabava fazendo as mesmas coisas — estratégias de marketing digital e comunicação —, só que aplicar isso para vender picolé no Polo Norte ou para ajudar uma pessoa em situação emergencial faz total diferença. Que tipo de comunicação, para que público você está trabalhando? Logo, o cliente é determinante.
Uma coisa retroalimenta a outra: essa força, essa inspiração que eu fui encontrando me trouxe a reflexão de direcionar a Métrica para trabalhar no campo do impacto positivo. Recentemente mudamos o nome de “agência Métrica” para Métrica.Social, onde a gente se identifica como uma estrutura que cria narrativas e comunicação positiva para coisas que fazem sentido.
Gratidão
Eu só tenho a agradecer a todo mundo que encontrei na minha jornada nesses 17 anos da Métrica, que tantas alegrias me deu, tanta diversão, tanto aprendizado. Hoje somos algo em torno de 20 e tantas pessoas envolvidas, sendo 18 fixas.
E não é só quem está trabalhando hoje com a gente que eu quero agradecer. Por mais que a gente não esteja mais trabalhando junto, o tijolo deixado por cada pessoa pela construção disso tudo permanece. Fica essa solidez, essa lembrança.
Agradeço também a todos que moram ou já moraram aqui no Céu do Gamarra — a ecovila está fazendo 37 anos depois de amanhã. Imagina só como foi iniciada essa história. Com muita vontade.
Tempo e dinheiro
O que eu tenho construído, pra mim e dentro da empresa, é um ambiente onde a gente tenha satisfação no que faz e para quem faz — e que a gente seja retribuído com duas coisas principais que, no fim das contas, levam a um denominador comum. Uma delas é dinheiro; a outra, tempo.
Se a gente tem tempo e dinheiro, o bem-estar é esse denominador comum. A gente tira preocupações que aparecem quando falta ou tempo ou dinheiro — como foi o caso de eu não ter tempo para mim mesmo, e o corpo cobrou, me chamou atenção.
A vida como um rio
A minha vida foi como um rio, me levando pra esquerda, me levando pra direita, e sempre me divertindo, me impressionando com as coisas. Porque olha só: não tivesse eu passado por um momento difícil emocionalmente, em que eu estava suprimido em meio de tanto trabalho, eu não teria olhado por mim, não teria feito movimentos como os que fiz. Eu sou bem feliz com tudo isso.
O que eu avisto do ponto em que estou nesse rio são coisas bacanas, tanto pra empresa quanto pra minha vida pessoal. É assim que a gente tem seguido, é assim que a Métrica é reconhecida como uma das empresas mais humanizadas do país. E esse título é motivo de eu fazer cada vez mais esse ambiente bacana que construo para mim e para quem está junto.
Publicado originalmente no meu Instagram e no meu YouTube em setembro de 2024.