A vaquinha do Munay
No Natal de 2020, vi uma vaquinha online que me tocou muito - essa do Munay. Ele nasceu com inúmeras limitações devido a hidrocefalia e a paralisia facial.
E durante essa semana, participei de uma reunião com um Instituto que levanta pesquisas sobre doações no Brasil. Isso me deixou bastante reflexivo.
Nesta pesquisa eles perguntaram às pessoas o que acham sobre quem conta que faz doações. 87% dos entrevistados revelaram que não gostam ou não acham bonito tal atitude.
Mas isso deveria ser contado e explico o porquê.
Existe um fenômeno chamado de “efeito manada” onde há uma tendência de repetição de ações feitas por outras pessoas. Se uma pessoa doar e contar sobre isso, cria referência para outra doar e assim sucessivamente. Já dizia o fabulista Esopo: “A união faz a força”.
Se ninguém fala, se o assunto não é comentado… Ele é esquecido ou até não sabido. O assunto não é pensado nem questionado. E o objetivo aqui é contagiar mais pessoas para que elas façam o mesmo.
E aí, no dia que saí desta reunião, recebi um e-mail sobre o movimento de arrecadação de doações para ajudar o Munay pedindo que quem já doou, ajude postando nas redes sociais sobre esta Vakinha.
Portanto, cá estou, dizendo que doei, que quero ajudar, também, incentivando que se você se sentiu tocado de alguma forma e pode colaborar: colabore.
10 reais é, sempre foi e sempre será dinheiro!
O que dizem os números
Por que é importante a gente doar e falar que doou? Porque se todo mundo ao seu redor está doando e você não, você para e se pergunta: por que eu não estou doando?
Existe o efeito manada, onde a gente faz aquilo que as pessoas também estão fazendo. O marketing se utiliza muito disso.
Fiz uma análise através da Pesquisa Doação Brasil que saiu em 2022: 48% dos brasileiros doaram alguma quantia em dinheiro. Situações emergenciais têm a ver com 13% das doações feitas. E a gente sabe que uma tragédia como a do Rio Grande do Sul acaba impactando em todas essas frentes.
Fazendo uma análise um pouco mais profunda, usei a pesquisa de 2020, que se relacionava com a pandemia. Tinha a seguinte pergunta: se não tivesse ocorrido a pandemia, você teria feito alguma doação financeira? 11% não doariam se não fosse a pandemia. E 19% teriam doado menos. Então é importante a gente doar em momentos como esses.
Colaborar é diferente de tirar vantagem
A gente também consegue perceber que algumas marcas se aproveitam desses momentos. Essa é uma parte muito triste, e a gente tem que estar atento, porque uma coisa é uma marca colaborar. Outra é ela tirar vantagem.
A gente sabe que é influenciado, quando escolhe uma marca, se ela apoia ou não apoia causas sociais. Uma coisa é uma marca doar e falar que doou. Outra é ela fazer doação casada: a cada novo produto vendido, eu vou doar tanto. Estimulando a venda, aproveitando do momento. Isso é muito feio, muito triste. As marcas não podem se aproveitar de uma situação como essa.
Quem doa não pode tirar vantagem
Doar, falar que doou e gerar esse movimento. Naturalizar isso como uma conversa corriqueira, algo normal.
Porque não é como meus pais me falavam na minha infância, que quem doa não pode falar. Acho que o que tem que acontecer é: quem doa não pode tirar vantagem. Mas tornar a cultura de doação algo normal tem que ser para ontem.
Afinal, quantas vezes você já não foi ajudado na vida? Não estou dizendo financeiramente. Às vezes alguém te chamou para uma reunião, ou te ajudou a se promover em tal frente, ou te ajudou a ir para a faculdade. A gente é ajudado. Isso é: alguém doou tempo, às vezes recurso também, mas tempo, atenção.
A cultura de doação, das suas diversas maneiras, tem que ser naturalizada.
Publicado originalmente no meu Instagram em março de 2021 e maio de 2024.