Viver em meio à natureza não resolve os problemas.
Isso é óbvio, mas é que às vezes parece que o estar em meio à natureza - com barulhos de insetos, pássaros, vento, chuva caindo na terra… pode parecer romanticamente perfeito, mas não é a solução para todos os problemas.
Pode até ajudar a direcionar a importância que você dá a alguns deles - talvez pelo fato de ter mais horizonte pra se analisar - mas não deixam de ser questões a serem resolvidas.
Por exemplo, logo que cheguei aqui na EcoVila Gamarra para 3 meses de residência, dos quais já se passaram 2, vi que teria que me reorganizar para equilibrar o aprendizado de morar no meio do mato com o ritmo de trabalho que eu vinha arrefecendo depois de um período intenso.
A Métrica foi impactada por um bom fluxo de novos clientes que estão se dedicando mais ao Marketing Digital pós-pandemia. Por isso, precisei dedicar mais horas ao trabalho.
Mesmo com o período de 6h às 9h da manhã dedicado integralmente a mim - com yoga, meditação, café da manhã lindão… Tive dificuldade de aproveitar o espaço aqui em meio à natureza, somente a partir da terceira semana que consegui deixar de trabalhar até tarde da noite.
Trabalhar demais é demais
Estar no meio do mato não reduz os seus afazeres, mas te ajuda demais a se concentrar neles, a ter uma qualidade de produção sem pressão, apenas controlada pelo foco na execução das tarefas.
Já fui o tipo de empresário/publicitário que achava bonito trabalhar 100% do tempo. Hoje busco balancear trabalho com tempos de qualidade.
A paixão do fazer está em comunicar e pensar em como fazer isso da forma mais efetiva em vários aspectos.
Não glamourizo a questão de trabalhar demais. Trabalhar demais é demais!
A questão é trabalhar duro quando é preciso, não fugir do compromisso e se ligar pra isso não ser constante.
Publicidade é atingir objetivos de marketing com estratégias de comunicação. E há a publicidade justa, que comunica com clareza o que pode e deve ser melhor comunicado; que trata as pessoas de uma Agência de Publicidade com respeito, lembrando que elas têm suas vidas pessoais.
Ver o horizonte
Ver o horizonte não é só uma questão de contato visual.
Refletindo, há sim a parte romântica de se viver no mato, em natureza… Mas a vida não fica blindada como uma redoma de felicidade.
Que nada. A vida continua. Em seus altos e baixos.
A disciplina tem que se manter. Com prazer, sem repreensão.
Sento para trabalhar, tiro um horário para almoçar, vejo o pôr do sol - um momento importante que pratico sempre para que o trabalho não tire isso de mim. E como ultimamente tenho tido muitas tarefas, trabalho até de noitinha.
É o trabalho que me permite estar vivenciando isto tudo. Logo, me dedico e evoluo com ele para poder viver esse estilo de vida.
A questão é que às vezes fico tão focado no computador a ponto de não levantar a cabeça para ver as montanhas, o horizonte.
Por isso que ver o horizonte não é questão de proximidade visual. Mesmo que eu esteja muito próximo a ele, posso acabar não o vendo.
Não há fórmula mágica.
É questão de percepção.
Publicado originalmente no meu Instagram em novembro de 2020 e abril de 2021.